Noite e coração
Se esperneio entre lágrimas
vermelhos olhos
amaldiçôo a luz branca
desta lua nesta noite
enrugo meu rosto
escuto meus soluços
só meus,
A vida é turva
e todas as luzes de de vez em quando:
QUIMERAS DE MULHER que
porque é gente
dói
- só que mais!
De toda irrealidade
que passa, se perde
só tenho certeza dos meus dentes
brancos quando riem, grandes, delírio
E da pena q sinto, passageira
apenas de mim
lúcida do efêmero
E por isso mesmo não faz sentido
repito, não faz!
chorar assim desse jeito
e nem rir daquele outro jeito
e nem a turvidez da vida
e nem a limpidez dos sonhos
Sequer noite ou coração.
Escrito por Fer às 21h48
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VERMEER VAN DELFT
Girl with a Pearl Earring c. 1665 Oil on canvas, 46,5 x 40 cm
Escrito por Fer às 13h21
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Continue
Continue assim mesmo
Avançando na confusão de fenômenos
Mas ouve
Por entre as frestas da inconsciência
O canto absoluto das noivas recém-casadas
Tão livres E já tão determinadas
Escrito por Fer às 19h34
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Cacos
Estou pedaços desparcerados
pontudos
salteados na sucessão dos minutos
- minuto a minuto -
que perfazem esta tarde baforosa e
totalmente determinada
da terra ao céu e do céu à terra
a me subjugar.
E estou cacos de cabeça para baixo...
E só me sustento na fumaça leitosa do meu cigarro
o qual estou a tragar... a tragar
enquanto estou fragmentos pontiagudos
polvilhados à beira da piscina
de azulejos
Desidratados.
...
Sou mosaico!
Escrito por Fer às 19h32
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Festival Deus Sol, Nova Déli, Índia
Escrito por Fer às 10h36
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UM GRITO SOBRE A INCONSCIÊNCIA NEGRA – Ficção para a maioria.
Preciso gritar minha INconsciência negra, que vem de não sei onde, se de dentro do meu corpo orgânico, se de um espírito que eu tenha, se de outros corpos ao meu redor, se de outras almas, vivas, mortas, deste ou de outro mundo, ou de parte alguma, ou de coisa nenhuma, ou de tudo e todos os lugares.
Essa minha negritude inconsciente que se impõe e quer sair. Pulsa e transborda, transbordando retorna, mais forte, quente e potente, preenchendo ecos, entesando minha espinha dorsal, e sou grande, grande, grande – ao menos durante o raiar do sol.
São uns sons, séculos de tambores, vibrantes, nas danças, nos terreiros e nas rodas que choram enquanto riem em gargalhadas profanas, com sangue no branco dos dentes negros, tão brancos quanto os lençóis dos homens brancos tão brancos quanto a alva alma destes homens que, no deleite de tanta candura, tingem de vermelho de sangue do sangue negro suas mãos brancas, seus brancos lençóis e o branco dos dentes negros gargalhantes nos terreiros, nas rodas e danças africanas, profanas, que choram e cantam.
São uns sons, séculos de tilintar de ferro das correntes em pernas e braços ligeiros e belos , resistentes, doloridos, amputados.
E lamentam todos os santos entre sons de engasgos, soluços e cantos de meninas negras que geram filhos bastardos.
São uns cheiros de terra encharcada de sangue, terras americanas. Cheiro de mato rasgado, de pele rasgada, de pele, pele baiana de cheiro de séculos de quilombos onde, ou se está, ou tenta se encaixar nos bairros, nas famílias, nas igrejas, nas leis e nas universidades dos brancos.
São uns cheiros de peixe, cana e café, na pele, nas unhas das mãos, nas bolhas dos pés, nos calos do coração. Que coração! Coração que deve ser um só para todos os negros, e que habita, bem guardado, o peito fechado de algum zumbi dos palmares, mesmo que os corpos mutilados de cada negro e negra que pena a pena que não é sua, continuem jorrando sangue e lágrimas nas terras e nos lençóis dos senhores brancos, tão brancos quanto sua consciência branca. Séculos de consciência branca que hoje tem que fazer sorrir suas cínicas caras para uma tal de consciência negra, esta que está mais para o politicamente correto.
Portanto, é a INconsciência negra que grito, conspiradora, subcutânea, fugitiva e ilegal, pois é esta que me faz forte e grande a cada manhã, até o anoitecer, mesmo que no silêncio e na escuridão das noites, eu vá dormir aos pedaços, pequenina, tentando me juntar entre os sons e cheiros de séculos, entre cada tum tum do imenso coração meu, que é o de todos os negros, pardos e mulatos que dormem aos retalhos, procurando um abraço de pérolas que emoldure seus corpos num só, fazendo parar o tiritar dos dentes, para que, a cada despertar, sintam seus corpos suficientemente inteiros para continuar tentando se encaixar: fugindo e correndo atrás da porra do prejuízo.
Escrito por Fer às 10h31
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Nova Déli, Índia
Escrito por Fer às 10h29
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Os sonhos
Os sonhos
os esquecidos e rememorizados
táteis
tão frágeis
como pétalas.
Que são os sonhos de quando desperto
e me sorri a realidade
tátil
tão frágil
como perfume das pétalas amarelas.
Os mesmos sonhos de quando te vejo
e mergulho na sombra dos teus olhos
táteis
mais frágeis
que todos os espinhos.
Escrito por Fer às 21h55
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Dissabor, ó contingência:
sabor passageiro de um toque
que intruso me dissolve, e me tomo
expando e entorno, e já não me sei
e nem a ti, ó contingência
somente a eternidade saborosa
da liquificação.
Escrito por Fer às 21h54
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SORRIO, BOM DIA, VEM
VEM E DEITA
E ME DEITA
O PESO DA MINHA CABEÇA
NO TEU TRAVESSEIRO, QUE É MEU
E ME SONHA
DE LÁBIOS TÃO JUNTOS AOS TEUS
SEM DESPIR-SE, E ME DEIXA
DE MÃOS NOS TEUS SEIOS ARFANTES
VENDO-TE IR, ADEUS.
Escrito por Fer às 21h54
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ASSISTAM:
ENCONTROS E DESENCONTROS, Sofia Coppola
esplêndido!
Escrito por Fer às 17h30
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Castelo de Areia
Sobre a realidade cinzenta
Ergueu-se você
Castelo de areia!
De bases fortes e arquitetura harmoniosa
Tentando manter-se coeso
numa estrutura que são grãos.
Da torre mais alta
banhada diariamente pelo calor do sol
ouve os chamados do Éden.
Mas como atingir o céu?...
Terremotos
Erupções
Sustentam os pilares feitos de sei lá o quê!
E os grãos teimam em se perder...
É preciso manter a ordem
Juntar os grãos que se desprendem
e tapar os ouvidos
às ninfas
a Baco
ao diabo!
Mas
com o despertar da noite
Quando todas as luzes se apagam
Procura o afago íntimo
onde possa
finalmente!
desmoronar
Até que alguém acenda o sol.
Escrito por Fer às 21h57
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Ainda bem
Ainda bem que não nos amamos.
Porque meus dias teriam tido um brilho a mais
meu corpo, uma lembrança a mais
meu amor, uma força a mais.
E eu estaria louca.
Apaixonada!
Irremediavelmente.
Escrito por Fer às 21h54
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Amor e Medo
Passei muitas horas pensando
quem vem primeiro
o medo ou o amor
E qual destes
é causador de maior dor.
E só de pensar já doía
Não sei se de amor ou medo
(de já estar amando?)
E o peso no peito
de procurar o entendimento
foi demais pra mim!
Então
O amor eu já sabia
De tanto que doía, doía
E o medo
que era só pressentimento
ganhou dimensões assombrosas
E então eu já sabia.
E de tanto chorar a dúvida
Ri da infeliz descoberta.
Celebrei a inspiração de um poema
E tentei dançar na chuva
Com o coração encharcado de amor
medo e dor.
Escrito por Fer às 21h54
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Libertação
Preciso de recordações novas
que tornem antigas as últimas
pois não as suporto de tão esplêndidas.
A casca nova não cresce,
não se fortalece.
E eu ainda estou exposta ao passado,
sentindo a dor de todas as suas delícias
que tornam o presente tão vazio e cansado.
Escrito por Fer às 21h45
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